Um voto de tolerância.

Olá! O meu nome é Anita da Costa e sou criadora de conteúdos, ou influencer, o que lhe quiserem chamar. Faço parte dessa classe “ignorante” e “fútil”, como tenho lido. Exatamente, sou uma daquelas pessoas que viu uma oportunidade de negócio online e aproveitou. Mas esta não é uma mensagem de self-pity, até porque não há motivos para tal, vamos ao que importa.

Hoje fui votar. Os apelos que fiz ao voto foram tímidos, até porque, o que tenho visto em paralelo à campanha ao próprio voto, é uma campanha dirigida a uma só pessoa. Aliás, uma anti-campanha. E não me interpretem mal, não sou uma espécie de advogada do diabo. E compreendo toda a depreciação contra os ideais defendidos, estamos no mesmo barco, pelo menos nesta parte. Só não compreendo a quantidade de vezes que se profere um só nome durante eleições presidenciais, os insultos e a forma parcial como é feito o jornalismo. Mais do que tudo, não compreendo, como é que vi pessoas serem altamente atacadas e discriminadas porque não quiseram embarcar nesta anti-campanha, teoricamente anti-discriminação.

Gostava de vos dar uma opinião que vai um bocadinho contra a maré desta “ditadura de pensamento”. E gostava que fosse aceite como uma simples opinião, sem direito a insultos e ilações gratuitas.

Acho que a informação é a nossa melhor arma, de facto votar informado seria a cura para quase todos os males. Por outro lado, a polarização, atirar coisas às pessoas e fazer uma anti-campanha, além de poder ter o efeito adverso, não consigo compreender. Tinha-nos em boa conta, enquanto país, enquanto estado membro da União Europeia, achei que estaríamos do lado certo da razão, pensei que éramos um povo civilizado, imune a esse tipo de vírus ideológico, que distingue e discrimina as pessoas por crenças políticas e outras.

Acho que haveria muitas outras formas de sensibilizar e educar as pessoas. Acredito que é importante compreender e explicar os ideais básicos da esquerda e da direita, desde os mais radicais até aos mais moderados, para que o voto seja informado. Tenho a certeza que se, de facto, as pessoas soubessem para o que votam, estariam quase sempre de um lado mais razoável.

E é claro que, tenho a certeza que desse lado existe também sensatez, tenho a certeza que haverá por aí alguém que está de acordo comigo e que por medo, ou porque simplesmente não vale a pena lutar contra a maré, não vai falar. Nada contra, essa é a minha posição 90% do tempo. Tenho o melhor trabalho do mundo e na verdade, por muito que a internet esteja completamente intoxicada com fake news, trolls e ditaduras de pensamento, há um lado maravilhoso da internet. E essa é a minha internet 90% do tempo, não porque os meus seguidores partilhem da minha opinião indubiamente, mas porque mesmo quando não partilham, salvo raras exceções, há alguma sensatez e civismo na forma como as pessoas exprimem as suas opiniões. E é maravilhoso conviver com diferentes opiniões, mas esta, infelizmente, só é a minha internet porque raras vezes dou a minha opinião. Quando o assunto é polémico, regra geral, fico do lado do silêncio. Que até esse, nos dias que correm, já não é solo pacífico.

E na verdade, até me considero uma pessoa com fortes opiniões, as discussões são acesas nos jantares de amigos e família. Mas a internet não é um jantar de amigos e ninguém quer dar um passo em falso, porque há uma plateia à espera do próximo repost e bode expiatório.

Concluo, sem grande fé que este texto vá mudar o mundo, claro! Mas pelo menos que dê alguma voz, ao silêncio dos que não partilham da mesma opinião que “a internet”. O que não quer dizer que este lado seja o lado da razão, não há vencedores nem perdedores. Há um apelo a alguma tolerância, a ouvir mais, a escolher melhor a informação consumida e como li um dia destes num artigo no financial times,

“We should all slow down, calm down, ask questions and imagine that we may be wrong.”

Como disse em cima, compreendo a depreciação e sublinho, não me revejo de todo nos ideais defendidos pelo candidato. Não é disso que se trata!

7 Comments

  1. Georgina Azevedo

    A minha admiração, sempre!

    Um beijinho!

    Georgina (*maria amuleto) :)*

    A domingo, 24/01/2021, 15:05, Anita & The Blog escreveu:

    > anitadacosta posted: ” Olá! O meu nome é Anita da Costa e sou criadora de > conteúdos, ou influencer, o que lhe quiserem chamar. Faço parte dessa > classe “ignorante” e “fútil”, como tenho lido. Exatamente, sou uma daquelas > pessoas que viu uma oportunidade de negócio online e apr” >

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  2. Catarina Quare

    Infelizmente, muitas opiniões são criadas devido ao mediatismo e a jornalismo não imparcial. O pensamento crítico não é inato, tem que ser desenvolvido. É importante termos estas conversas com os nossos amigos, família e comunidade para que, juntos, consigamos ter debates saudáveis e produtivos. ♥

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  3. Andrea

    Finalmente alguém que diz as coisas de forma acertada e sensata, não podia estar mais de acordo com o que escreveu. As pessoas deviam informar se melhor antes de falarem ou postarem algo que meio mundo já postou. Espero que os teus seguidores “percam” algum tempo a ler este post 😉

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